CONCRETO DURÁVEL

Somos levados a pensar na resistência mecânica do concreto como indicador de qualidade. Afinal, é praticamente impossível imaginar que um material pétreo visivelmente resistente possa ter vida curta. Compará-lo com a pedra natural é um exercício corriqueiro para qualquer pessoa, leigo ou especialista. 

Desde 1824, quando foi inventado e colocado no mercado, foi assim, o concreto, produzido com cimento Portland era considerado eterno. 

No final da década de 1950, o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer ousou ao dar formas curvas às obras da Pampulha, em Belo Horizonte, e deixar de aplicar revestimento para acabamento da superfície, boa prática exigida na época. Em 1960 Brasília é inaugurada em tempo recorde, graças à nova maneira de se utilizar o concreto. 

No entanto, o projeto mostrou-se frágil aos efeitos do tempo, revelando algo novo, o concreto se deteriorou – durou apenas 20 anos – iniciando uma onerosa vida residual. No começo da década de 1980, iniciam-se os trabalhos de recuperação do concreto de Brasília.

A deterioração das estruturas de concreto é afetada pelo transporte de gases, água e agentes agressivos dissolvidos na água. A maior ou menor facilidade deste transporte depende, basicamente, da rede porosa e das condições ambientais à superfície do concreto de recobrimento.

De pronto, evidencia-se a importância da espessura de recobrimento do concreto como elemento resistente ao ambiente. Não se garante durabilidade em estruturas cuja espessura de recobrimento seja inferior a 4cm. Os magros 2,5cm propostos pela ABNT não são suficientes para garantir durabilidade em estruturas armadas expostas, pois servem somente às estruturas de concreto revestido. O transporte de água no seio do concreto é determinado pelo tamanho e tipo de poros, sua distribuição e pelas micro e macrofissuras existentes. Por esta razão, torna-se imprescindível o controle da natureza e a distribuição dos poros e fissuras para obtenção da estrutura durável.

O estudo da durabilidade é baseado no conhecimento e entendimento dos mecanismos de transporte de gases e líquidos agressivos ao concreto através de poros e fissuras. Essa compreensão permite associar o fator tempo aos modelos matemáticos que expressam quantitativamente esses mecanismos e, assim, avaliar a vida útil de uma estrutura de concreto armado em número de anos, em função do ambiente em que a obra está inserida.

A durabilidade da estrutura de concreto depende da deterioração física, química e biológica do concreto e da corrosão da armadura.