CONCRETO RÁPIDO

No princípio era lento. O sistema de forma era precário, a mão-de-obra era abundante e a tecnologia disponível não permitia menores prazos. Por outro lado, o desenvolvimento econômico acelerava os processos de produção com a industrialização, mecanização e outros tantos métodos e meios de melhoria de produtividade. A concorrência instalou-se como regra de negócio e a eficiência como instrumento de sobrevivência. 

No Brasil o cimento teve grandes alterações a partir da década de 1970 para fazer frente às imposições da economia do país.  Resumidamente, houve um acréscimo nos teores de C3S e C3A acompanhado de incremento na finura do cimento. Estas providências atenderam os anseios de mercado. As resistências iniciais aumentaram, o período de desforma encurtou e o cronograma se encaixou na pressa do consumidor.   O resultado é que a perda de qualidade do concreto foi acentuada. O meio técnico e o meio acadêmico protestam até hoje inconformados com as fissuras e a baixa durabilidade a que ficaram submetidas as estruturas. Diversas ações foram envidadas para que as características do velho cimento fossem retomadas, porém, sem sucesso algum.

A indústria do cimento é caracterizada pelo uso intensivo de capital, sendo que a sua produção exige investimentos iniciais elevados e um alto grau de tecnologia incorporada, com estruturas de financiamento complexas. 

A viabilidade econômica do empreendimento está relacionada a escalas mínimas de produção elevadas, o que condiciona a produção à existência de um grande mercado consumidor potencial. Além disso, o cimento é um produto homogêneo e sem um substituto direto, corroborando para as práticas de concorrência caracterizadas pelo oligopólio homogêneo.

Olhando por este prisma pode-se antever o cimento moderno com a incorporação de muita adição como escória, cinza ou outros rejeitos industriais, com elevadas resistências iniciais e finais e com baixa durabilidade; como o cimento de hoje. Cabe ao meio técnico o ajuste desta situação, contando, para isso, com o apoio da indústria da química da construção que tem como objetivo a equalização destas características do concreto para sua correta utilização.

O concreto de desforma rápida deve atender os ciclos exigentes de construção. Tecnicamente deve atender primeiramente as condições de deformações com atenção no ensaio do módulo de elasticidade. 

Processos que apresentam rápido desempenho, como dito anteriormente, induzem as fissuras e baixa durabilidade, e são estes fenômenos que cabe ao tecnologista interferir, fazendo com que não ocorram, assegurando com segurança o compromisso de prazo da construtora.